quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Cereja Chinesa, ou comida indiana?

Ultimamente eu tenho notado uma crescente inclusão social da grande maioria da população da minha cidade(uso ela como referência). Quero dizer que o aumento no salário mínimo(aumento acima da inflação, veja bem), tem possibilitado que muitas pessoas adquiram bens antes intangíveis a elas, o que reflete o crescimento da economia em geral. Porém, a maior parte das pessoas ainda passa uma vida inteira tentando adquirir um carro popular 0 km. É um direito que estas pessoas não tem, sempre comprando carros com mais de 4 anos de uso.

Pode parecer um fato estranho de se dizer, mas todo o país emergente do último século que galgou uma evolução financeira signifcativa(Japão, EUA, Coréia...), tem uma indústria de carros nacional que produz carros populares que todos os cidadãos podem comprar, mesmo aqueles que ganham salário mínimo. Este dado aparentemente insignificante trás duas grandes consequências. Primeiramente o carro é fabricado/montado no país, o que gera uma boa quantidade de empregos para uma determinada área, mas não apenas isto, a maior parte das peças do carro são fabricadas no próprio país(um carro usa mais de 2.000) o que gera outras empresas e alavanca a economia como um todo, aliando-se a isso um divisão dos lucros razoável, tem-se uma massa de consumidores que podem comprar o produto sem que este tenha que ser exportado por preços menores.

Isto aquece a economia e gera novos empregos. Não é nenhuma vergonha vender carros que são praticamente cópias de carros de outras marcas, todas as grandes marcas já copiaram umas as outras no começo e de fato, ainda hoje existem muitos carros parecidos. Falta citar ainda um detalhe curioso: o carro popular orginalmente deveria custar U$ 7.000, mas atualmente custa U$ 12.000. Isso é um demonstrativo de que as empresas elevaram os preços junto com a alta do dólar, mas não reduziu-os com a baixa, visando se aproveitar do consumidor. Agora minha pergunta aos senhores é: considerando-se que a indústria automobilística brasileira somente MONTA o carro em território brasileiro, não fornece quase empregos, e pratica preços abusivos; porque devemos protê-la? caso você ainda não tenha notado, o título tem haver com duas coisinhas pequeninas, dois carros que estão cotados para vir ao Brasil. O Cherry QQ e o lakh, o primeiro é da montadora Cherry que é chinesa e o segundo da TATA que é uma montadora indiana. O primeiro deles vai custar em torno de R$ 16.000 e pode vir com ar condicionado, vidros elétricos e uma série de outras comodidades. O segundo pasmem, embora não venha com nenhum item opcional custará R$10.000. Isso é uma notícia significativa, e ainda mais, ambas as montadoras estudam trazer fábricas para o Brasil com o intuito de diminuir os preço de importar os carro para o Brasil(a taxa está em cerca de 35%), muito embora eu seja a favor de uma indústria brasileira, essas duas novas opções do mercado só tendem a favorever aqueles 75% do mercado que fabricam produtos para os 10% mais ricos. É a inclusão social, o pobre poder comprar seu próprio carro 0 km. Não aos benefícios as montadoras estrangeiras com preços abusivos e discursos mentirosos. Pra frente Brasil! Está na hora de crescer e realizar inclusão!

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