domingo, 30 de dezembro de 2007

GERAÇÃO SMIRNOFF ICE

Volta e meia eu e minha esposa conversamos durante horas e horas nos questionando: vale à pena ter um filho nos dias de hoje? Ainda não chegamos a alguma conclusão, os pontos de divergência são muitos: religião, escola, time de futebol, horário para ver televisão, quais programas ele(a) poderá assistir, come MacDonalds, não come MacDonalds, enfim... muitos senões. Todavia, o que mais me desanima da idéia de ter um filho, é imaginar que um dia ele será adolescente.
Se os seres humanos passassem direto da infância – aquela fase em que são cheirosinhos, rechonchudinhos, engraçadinhos – para idade adulta – aquela fase em que se consegue ter um diálogo no mínimo razoável sobre as questões de maiores relevâncias na vida (sexo, literatura, música, vinho, massas, cerveja e futebol), eu teria uma dúzia de filhos. O problema é que, invariavelmente, eles serão adolescentes. Em algum momento da sua vida aquela bolinha de carne carinhosa e bonitinha será abduzida por seres extraterrenos e no lugar colocarão um ser sombrio, macabro e inconformado com qualquer coisa que aparecer na frente dele. Será contra tudo aquilo que você defender. Serão detentores da verdade. Saberão mais do que você. Beberão mais do que você! (Só que escondidos). A partir de uma certa idade, bebemos para apreciar o sabor de um bom vinho. Na adolescência, bebemos para desafiar a resistência do nosso fígado, pobrezinho.
Entretanto, existem algumas diferenças cruciais entre a adolescência atual, e a adolescência de alguns anos atrás.
Antigamente (leia-se, na minha adolescência), quem era dark, gótico ou afins, era de verdade. Os caras eram brancos como velas por que se recusavam a sair no sol. Hoje existe maquiagem que pode esconder até a marquinha do biquíni. Antigamente, carro rebaixado, rodão, vidro fumê, era coisa de playboy. Na sonzera do seu gol GTI 1.8 só tocava “poperô”: Ace of Base, Double You, Corona (a cantora, não o chuveiro: “the summer is magic, is magic, ô, ô, ô, the summer is magic). Hoje em dia tem carro rebaixado com néon no assoalho tocando de tudo: dance, trance, pagode, funk, rock! Isso mesmo, até rock está tocando! Porra, quem ouvia rock não tinha carro! Andava a pé até o All Star furar. E não era por que o All Star estava na moda, é por que era o tênis mais barato que tinha para vender no mercado público, depois do kichute. Antigamente o punk tinha calça rasgada porque só tinha uma calça no guarda roupa, e o cara usava a calça até ela se desmanchar. Hoje o cara entra mauricinho por uma porta do Shopping Center, e na outra sai transformado: piercing, moicano descolorido, calça rasgada, tatuagem, tudo que tem direito.
Adolescentes amam e odeiam muito mais do que os adultos. Entre os quatorze e dezenove anos, serão pelo menos 32 amores eternos. “Dessa vez eu tenho certeza, ele é perfeito! Nunca senti nada igual...” Até que encontra ele com a melhor amiga na praça de alimentação do Shopping Center, tomando MilkShake de Ovomaltine no mesmo canudinho. “Ai que ódio! Eu bem que desconfiava...”
Hoje em dia as tribos não se encontram mais nas ruas e botecos, como acontecia antigamente. Elas se encontram no orkut.
Tem a tribo dos “emos”, com seus cabelos lambidos, seus olhos com sombra preta e seu sofrimento sem fim. Adoro ver o álbum de fotos desses caras. A cabeça baixa, o olhar deprê e a frase: “A noite não termina quando o anjo da solidão invade a nossa alma. Depois... só dor e desespero.”. Algo tão profundo e sofrido que nem o Renato Russo seria capaz de escrever.
Tem a tribo das patys/surfistinhas. Todas tiram fotos fazendo biquinho. Todas usam óculos e boné (vide comunidade: “mina de boné é frentista”. Eu recomendo). Todas usam sapato plataforma, miniblusa três números a menos do que o seu (para criar a falsa impressão de que os seus púberes seios que mal começaram a nascer já são comparáveis aos de uma Fafá de Belém), 15843 pulseiras de prata em cada braço (o que me leva crer em uma forte descendência cigana), calça de ginástica enfiada no útero e, na legenda da foto o poeta da nova geração: Chorão! “Ela não é do tipo que se entrega na primeira e etc, etc, etc”.
Tem a tribo dos cyber-manos. Boa parte dos adolescentes orkutizados do sexo masculino, tende a tirar fotos com um boné torto na cabeça, estampado, de aba reta, redinha na parte de trás, óculos escuros e uma corrente de prata de oito quilos no pescoço. Cara, no meu tempo (um dos maiores indícios que estamos ficando velhos e quando começamos a falar com certa freqüência a frase: “no meu tempo...”) se um camarada aparecesse com boné estampado e de redinha atrás, ia virar piada: “qualé ô mané, ganhou o boné de algum vereador?”. Boné de verdade tinha que ser todo fechado, bordado na frente (Chicago Bulls, Los Angeles Lakers, Charlotte), oito linhas na aba e pininho de ferro. No meu tempo, se um cara aparecesse com o boné torto, coitado... HÁÁÁÁ, SERGINHO MALLANDRO, GLU, GLU, GLU. E pelo resto da adolescência carregaria a alcunha de Serginho Malandro. No meu tempo, se um cara aparecesse com o cabelo para fora do boné, parecendo uma moita por cima das orelhas, tal qual o fazem os garotos de hoje em dia: BOZO! VOCÊ TÁ FELIZ? ENTÃO DÁ UM BEIJO NO MEU NARIZ!. E mais, se um cara me aparecesse com um lenço na cabeça, amarrado com um nó sobre a testa, coitado: TIA ANASTÁCIA, DONA BENTA!
Já ia me esquecendo da legenda: eH nOi$!!! sOh a dIreToRiaH!!! mExEu cUs irMauM AgoRaH GueNtAh!

Os tempos estão mudando.
Mas eu só me dei conta disso de verdade, quando ouvi dois carinhas conversando no ônibus:
_Tipo, pô cara, tá ligado, tipo, tomei maior ferro ontem, tá ligado?
_Só...
_Tipo, fui lá na parada, tá ligado, e tipo, tomei todas mano, tá ligado?
_Só...
_Tipo, na real, pode botar fé guerreiro, enchi a cara forte, só simrnoff ice a noite inteira!
_Só...
PUTAQUEOPARIU!!!!!
SMIRNOFF ICE ERA BEBIDA DE MENINA!Moleque que era macho tomava porre com vinho castelinho, aquele que vem em garrafa de plástico e que pode ser feito em casa (basta misturar tang de uva com álcool de cozinha. Líquido, o em gel não fica tão bom), ouvindo Geração Coca-Cola no toca-fitas.
Renato Russo e Cazuza eram os formadores de opinião.
Hoje é Smirnoff Ice com Charlie Brown Jr. ou CPM 22 no mp3 player.
O Badauí é o formador de opinião.

Acho que não vou ter filhos...






(Reproduzido do site TôPuto , com autorização do autor)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Conto de Fadas para Mulheres do Século XXI

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo.

E disse:Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre. Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

Nem Fu-den-do.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Carta aos amigos

Talvez a gente tenha bebido junto, rido junto, jogado junto e talvez a gente nem se conheça. Mas eu sei que se você está lendo isso, lá no fundo alguma coisa a gente aprendeu junto. Pode ser que eu tenha pedido pra que você lê-se este post hoje, pode ser que você seja um frequentador assíduo do blog, não sei. Mas quero que saiba que no final das contas você foi importante se está lendo isso, podemos ter brigado, podemos ter dançado e, pelos deuses, podemos até mesmo ter jogado truco numa escada qualquer por ai.
Não importa se a gente tenha se visto por um minuto ou se conhecer a mais de dez anos, se rimos junto, se conversamos ou se talvez tenhamos magoado um ao outro, por que no final das contas, todo mundo magoa todo mundo. Isso não importa, o que importa é como você lida com isso, seja gritando ou chorando, guardando ou explodindo. Então relaxe, por que mesmo que eu não te conheça já somos amigos. Se nós compartilhamos de alguma idéia, já somos aliados, e nada pode mudar este fato.
Se eu te magoei alguma vez, eu lamento, se você me magoou, relaxe, por que o que importa na vida são os momentos felizes, e não os tristes. É só perceber como regitramos os momentos, em aniversário, casamentos, festas e afins sempre existe alguém tirando fotos, registrando. Já em acidentes, funerais, as pessoas preferem esquecer dessas coisas.
A maior parte das pessoas vai acreditar que isso é uma despedida. E de fato é.Mas não pense que isto é uma despedida da vida, ou de você. Esta é uma despedida de mim mesmo, as coisas mudam, os tempos passam, e já é hora de crescer. Não somos mais crianças, somos super heróis, num mundo tão caótico que as cisas acabam ficando engraçadas, pessoas com idade para ser pais agem como crianças, e crianças são obrigadas a agir como adultos. Por isso é hora de crescermos, hora de mudarmos, hora de nos desperdimos e mudarmos, e aos mais preocupados eu deixo uma frase de um grande personagem filosófico da Tv moderna:

"Não é que eu seja louco. É que eu vivo num mundoem que simplesmente não vale a pena ser normal"


Homer J. Simpson


Felicidade, paz e guerra para todo mundo!

Deixe um comentário por gentileza...XD

domingo, 16 de dezembro de 2007

Lições sobre o mundo II

Se você realmente não se importa com o que os outros falam de você, então você não deve reclamar, afinal, isso é querer encontrar um ombro pra chorar e uma tremenda falta do que fazer. Se o mundo é injusto e preconceituoso com você imagine como é com pessoas que tem AIDS, que estão abaixo da linha da miséria(abaixo da pobreza), que não tem o que comer ou que tem graves deficiências físicas; então pare de reclamar por que as pessoas acham você esquisito e agradeça por não ter problemas realmente sérios.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Esquisito...

Houve tempos em que as pessoas eram queimadas por saberem usar ervas par curar, em tempos mais próximos muita gente perdeu a cabeça(literalmente e no sentido figurado) por acreditar que todo mundo era igual.
Em tempos posteriores todo mundo chorou por essas(ou não) . Mas não é essa questão que eu quero discutir. Acho tão banal problematizar essa questão, pois afinal, a gente vê isso quase todo dia. Mas eu acredito que seja exatamente ai que está o problema. A gente vê mas não analisa.
Muita gente que eu conheço é "esquisita"( e pode me por no meio desse bando, por que eu sou), e depois de um tempo a gente percebe: acontece um "apartheid" social, trocando em miúdos, as pessoas preferem ignorar do que conversar.
Eu costumo observar isso muito freqüentemente em relações obrigatórias(trabalho, escola, etc...), normalmente todo mundo se afasta e só se aproxima quando necessita de favores. É uma coisa realmente desagradável perceber isso. Primeiro porque faz as pessoas se sentirem máquinas. Segundo, porque é extremamente cruel com as pessoas.
A maior parte das pessoas( e os adolescentes ao máximo) costumam segregar as pessoas menos parecidas com o grupo em que se encontram a uma posição inferior e semi-humana, tendo-se em vista o tratamento extremamente frígido que é impingido a quem é diferente.
É extremamente brutal com os menos preparados para lidar com o preconceito esse tipo de separação.Afinal, muita gente sente como é difícil viver nessa época. Pois já somos tão bombardeados pela Tv, cinema comercial e tudo o mais pregando padrões físicos, sociais, morais e intelectuais que não temos saída: somos massacrados por informações que nos dizem que somos tolos. Então, se já temos tudo isso tentando nos provar que somos um lixo, por que precisamos de gente que fale isso também? Só por que tem gente que se encaixa um pouco mais nesses padrões de Barbie e Ken acha que pode fazer com que os outros se sintam inferiores. Idiota.
No final das contas, o que importa é que a gente viva como quer, sem se arrepender e sem se meter em como os outros vivem suas próprias vidas.Afinal de contas, ser livre é poder escolher sem que ninguém se intrometa.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Editoras vão processar criminosos

Li no site da rederpg e estou postando aqui pra que todos leiam, segue abaixo:

As editoras de RPG no Brasil divulgaram nesta quarta-feira nota que pretendem acionar Ludson Alves Costa na justiça por danos morais, no valor de R$ 20.000,00, caso ele insista na versão fantasiosa de colocar a culpa do seu crime em videogames e jogos de RPG ou filmes.Ludson está sendo acusado de tentar matar a ex-namorada e alega que fez isso "influenciado pelo RPG".

Algumas distribuidoras de filmes e licenciadoras de jogos online já foram contatadas, apoiaram a idéia e estão preparando suas assessorias jurídicas para tornar a vida destes criminosos mais complicada no futuro.

"Já não é de hoje que criminosos aproveitam brechas na lei para tentar alegar influência de músicas, filmes ou jogos eletrônicos em seus atos" - diz Juliana Garcia, da assessoria de imprensa - "em 1999, Mateus de Costa Meira assassinou 3 pessoas em um cinema e tentou colocar a culpa de seus atos no filme Clube da Luta e no videogame Duke Nuken.

Outros criminosos já tentaram inventar ligações com filmes e livros para justificarem seus atos. Em 2001, a estudante Aline Silveira Soares foi assassinada por um traficante na cidade de Ouro Preto e, pelo corpo ter sido abandonado em um cemitério, foram levantadas hipóteses absurdas do crime estar ligado a jogos de videogame e RPGs. Em 2005, Mayderson de Vargas Mendes e Ronald Ribeiro Soares cometeram um crime de latrocínio em Guarapari, ES, e alegaram estar influenciados por jogos de tabuleiro. Investigações provaram que nenhum destes dois casos estava relacionado com jogos ou filmes, mas o dano causado pela imprensa irresponsável já estava feito: professores que trabalham com RPGs perderam seus empregos, livrarias sofreram boicotes e crianças sofreram humilhações e assédios em escolas.

"É chegada a hora de dar um basta neste tipo de leviandade. Vamos atacar no bolso que é onde dói mais" afirma Marcelo Del Debbio, um dos mais importantes escritores de RPG no Brasil, com mais de 40 títulos publicados - "Não é justo e nem perfeito que 400.000 pessoas (número de jogadores de RPG no Brasil) sofram abusos da imprensa sensacionalista por causa de criminosos que querem aproveitar-se do desconhecimento e despreparo da polícia."